UBM 2013 Embedded Market Study

- por Sergio Prado

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No começo deste ano a UBM realizou sua pesquisa anual sobre o mercado mundial de sistemas embarcados, incluindo projetos desenvolvidos, tecnologias utilizadas, processos e ferramentas de desenvolvimento, sistemas operacionais, microcontroladores e processadores utilizados, etc.

A pesquisa foi enviada por email para os inscritos nos sites da UBM e da EE Times de 18 de janeiro de 2013 a 13 de fevereiro de 2013. Foram recebidas 2.098 respostas válidas, vindas em sua grande maioria dos EUA e Canadá (61%), com uma parcela na Europa e Ásia (33%), e alguns poucos na América do Sul (3%).

Algumas informações interessantes que pude identificar nesta pesquisa:

  • A linguagem de programação mais utilizada ainda é a linguagem C com 60%, seguidas por C++ com 21% e Assembly com 5%. Nenhuma indicação de que esta estatística mudará nos próximos anos.
  • Ainda precisamos de boas ferramentas de debugging. Ela é considerada a ferramenta mais importante, e ao mesmo tempo uma tecnologia que ainda requer muitas melhorias. Concordo!
  • O uso de sistemas operacionais diminuiu em 4% nos últimos 5 anos (a maioria diz que não precisa!). E assustadoramente, daqueles que usam um RTOS, 19% ainda usam um RTOS desenvolvido internamente!
  • O uso de um RTOS comercial tem diminuído nos últimos 5 anos (47% para 35%), enquanto que o uso de RTOS de código aberto aumentou (27% para 34%). E para novos projetos, a preferência por um RTOS de código aberto ganha disparado com 37%, contra 29% de RTOS’s comerciais. A resposta para esta tendência esta em uma outra pergunta, sobre o fator principal para a escolha de um sistema operacional. A resposta? A disponibilidade do código-fonte!
  • Android é o SO mais utilizado, com 16% (aumento de 3% com relação ao ano anterior), e o FreeRTOS é o RTOS mais utilizado com 13%. Os mesmos ainda lideram as estatísticas de sistemas operacionais a serem utilizados em novos projetos, com 28% para o Android e 21% para o FreeRTOS.
  • A grande maioria dos projetos (60%) são baseados em processadores de 32 bits, enquanto que processadores de 8 e 16 bits ficam na faixa de 16% cada um. À propósito, o que o Arduino esta fazendo na lista de microcontroladores de 8 bits???
  • A Texas liderou a maioria das pesquisas sobre os fabricantes de chips, incluindo o melhor ecosistema (software, ferramentas, suporte, etc) e chip mais utilizado, mas seguida de perto por Freescale, Microchip e Atmel.
  • WiFi é disparada a tecnologia wireless mais utilizada em projetos embarcados, seguida na ordem por Bluetooth, redes celulares e Zigbee.
  • A maioria usa o SVN como ferramenta de controle de versão (41%), seguido pelo Git com 21% (boa!) e CVS com 20%. Como alguém pode ainda estar usando o CVS como ferramenta de controle de versão? :)
  • 3,9% dos que responderam pretendem participar do ESC Brazil 2013 (1,8% a mais que a última pesquisa). E pelas conversas que tenho tido com o pessoal da UBM Brasil, este ano o evento deve ser bem maior que o ano passado!

Enfim, pesquisas nem sempre refletem a realidade, pois dependem de diversas variáveis como o público-alvo, sua localização e mercado de atuação. De qualquer forma, elas podem mostrar (e até influenciar) algumas tendências. Vale a pena dar uma olhada na pesquisa completa, que pode ser baixada de forma gratuita (após um cadastro) aqui.

Atualização: Infelizmente a pesquisa já foi retirada do ar.

Um abraço,

Sergio Prado

  • Andrés

    Não sabia que o CVS era ainda tão utilizado! :-O
    Fiquei Impressionado!!

    • Dado Sutter

      Não fique Andrés.
      Até o Ruindows ainda é :P

  • O CVS funciona bastante bem. Eu abandonei já nos idos de 2005 mas dá pra entender porque ainda se usa. Veja, por exemplo, o projeto NetBSD. Seu código é bem grande e está todo em servidores CVS.

    Em relação a frase “À propósito, o que o Arduino esta fazendo na lista de micro­con­tro­ladores de 8 bits???”, você quis dizer porque Arduino não é microcontrolador ou porque a versão atual é 32 bits?

    • Sem dúvida, eu usei bastante o CVS. Funcionava bem. Mas é uma tecnologia ultrapassada, comparado aos sistemas distribuidos, ou mesmo ao SVN. Lento, sem suporte à transações, o que pode causar commits pela metade, só suporta originalmente arquivos texto, etc. Não sabia que o NetBSD ainda usa o CVS!

      Com relação ao Arduino, eu achei engraçado terem colocado ele na lista de microcontroladores, já que ele é uma plataforma, e não um microcontrolador. Uma vez ouvi também alguem comentando sobre a “linguagem Arduino”…:)

      • Pois eu baixei os fontes neste último fim de semana para compilar aqui! ;-)

        As vezes quando as coisas estão funcionando há uma certa resistência para migrar. O próprio FreeBSD que é bem mais “moderninho” demorou MUITO tempo para migrar para SVN.

        E o Arduino até acho aceitável (mas não correto) classificar como microcontrolador. Apesar de ser um AVR ali, quem programa usando a IDE Arduino normalmente nem sabe o que tem na placa.

  • A propósito também, uma coisa que me chamou atenção foi uma queda grande na utilização de FPGAs em novos projetos. O Jack Ganssle tinha escrito algo sobre isto dando como principal razão a qualidade das ferramentas de SW dos fabricantes de FPGA. Não tem como não concordar, infelizmente.

    • É verdade, não tinha reparado nisso!

      • Eu tenho certa dificuldade em entender porque os caras não fazem essas ferramentas open source. É claro que no caso da Altera e Xilinx eu não esperaria mesmo isto. Em time que está ganhando não se mexe!

        Mas uma Actel ou Lattice só teria a ganhar se fizesse as ferramentas open source, porque a comunidade acabaria abraçando e usando somente eles. Quer dizer, é só minha opinião mas já vi esse tipo de comentário em tudo que é lugar onde se discute essas coisas. Geralmente se comenta que a Xilinx devia liberar tudo em aberto mas dali não dá pra esperar muita coisa. Eu colocaria mais fé nas empresas “secundárias” pra tomar uma atitude destas.

  • Caio Pereira

    Não sabia que o Android está tão forte assim!

  • Dado Sutter

    Legal, o GIT já deixou CVS na poeira mas ainda falta muito pra desbancar o SVN.
    Me impressionou muito esta informação de que os sistemas existentes ou mesmo em desenvolvimento já sejam na maioria de 32bits. A impressão que tenho é a de que os 8bits ainda dominam largamente e não estou falando só em piscar leds com Arduino. Mas devo ter perdido detalhes da pesquisa, vou dar uma olhada mais profunda nos critérios.
    Muito obrigado por compartilhar isto Sergio!

    Abraçossssssssssss

    Dado

    • Pois é Dado! Também tinha a impressão de que os chips de 8 bits dominavam o mercado. De qualquer forma, pesquisa é pesquisa…:)

  • Ronaldo

    Melhor usar CVS que o “controle” por .zip que ainda vejo muita gente fazendo!

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