Relato do ESC Brasil 2011 — Dia 2

Em 25/05/2011, em Eventos, por Sergio Prado

Acabou o ESC Brasil 2011. Foram dois dias de tec­nolo­gia embar­cada na veia, palestras de boa qual­i­dade e muito networking.

Para quem não leu, escrevi ontem sobre como foi o primeiro dia do evento. Hoje o dia tam­bém foi bem agi­tado. Tive­mos dois keynotes e uma palestra pela manhã, mais duas palestras à tarde.

O dia começou com o já “abrasileirado” Jack Ganssle con­tando um pouco da história da eletrônica e dos 40 anos do micro­proces­sador. O Jack é assim: você pode dar a ele uma palestra sobre os hábitos noturnos dos orn­i­tor­rin­cos, e ele fará você se inter­es­sar, pren­der sua atenção e até dar umas boas risadas. 

Começou com a invenção das válvu­las e do primeiro rádio em 1923, pas­sando pelo primeiro com­puta­dor dig­i­tal útil, o Colos­sus, em 1944, e depois o famoso ENIAC em 1946. A história pas­sou por diver­sos com­puta­dores basea­dos em válvula até a invenção do tran­sis­tor em 1947 e depois a primeira CPU, o Intel 4004, em 1971. Jack arran­cou algu­mas risadas exibindo uma foto sua de 1972. Daí foi um pulo para a evolução da com­putação pes­soal. 

Ele ter­mi­nou a palestra com uma visão de futuro onde os robôs cuidariam da parte mecânica do tra­balho, enquanto que os seres humanos estariam foca­dos no lado pen­sante, no apren­dizado, no auto-conhecimento e na mel­ho­ria das relações pes­soais. Só espero que o Jack não seja um robô querendo dom­i­nar o mundo… Thanks Jack!

Já o segundo keynote, con­fesso que não con­segui assi­s­tir até o fim. Rob Oshana, da Freescale, apre­sen­tou o tema “Desafios e opor­tu­nidades de proces­sa­mento mul­ti­core para sis­temas embar­ca­dos”. Mul­ti­core é um tema inter­es­sante, sem­pre na moda, mas a palestra deu sono. O dis­curso foi muito mais focado em busi­ness do que algo mais téc­nico. Por que usar um sis­tema mul­ti­core, suas van­ta­gens, inte­gração com DSP e grá­fi­cos 3D, etc. Não estava agre­gando muito. Fui para o cof­fee break.

Depois assisti a mel­hor palestra do evento que estive pre­sente. Nick Lethaby, da TI, apre­sen­tou o tema “Sele­cio­nando um sis­tema opera­cional para uma apli­cação integrada”. Ele dividiu basi­ca­mente em três nichos de mer­cado. Usar um FM-RTOS, ou Flat Mem­ory RTOS (Nucleos, uC/OS-II, FreeR­TOS, etc), em micro­con­tro­ladores sem MMU e com pouca memória. Usar um PM-RTOS, ou Pro­tected Mem­ory RTOS (QNX, VxWorks, etc) em sis­temas com MMU e neces­si­dades de real-time. Usar o HLOS, ou High Level OS (Linux, WinCE, Android, etc) em sis­temas com MMU mas sem req­ui­si­tos de real-time. Apre­sen­tou van­ta­gens e desvan­ta­gens de cada tipo de SO, e car­ac­terís­ti­cas impor­tantes como tempo de latên­cia e tempo de exe­cução de uma inter­rupção, alo­cação de memória e con­sumo de memória flash e RAM. Uma visão geral das tec­nolo­gias usadas em sis­temas opera­cionais, e um processo con­sis­tente de escolha do mel­hor para deter­mi­nada apli­cação.

Depois do almoço, assisti a palestra “Usando Linux como sis­tema de tempo real”, apre­sen­tada pelo Gus­tavo Bar­bi­eri da Pro­fu­sion. A palestra estava baseada na árvore de patchs RT_PREEMPT do ker­nel, que trans­forma o Linux em um sis­tema de tempo real. Foram apre­sen­tadas téc­ni­cas de escalon­a­mento do ker­nel do Linux e a influên­cia de sis­temas mul­ti­core, além de con­ceitos como inver­são de pri­or­i­dade e spin­locks. Já con­hecia boa parte destes con­ceitos, mas gostei do exem­plo usado para mostrar como tudo isso fun­ciona na prática. Eles deixaram um media player tocando uma música em uma placa da Freescale, e ao exe­cu­tar uma apli­cação de alto proces­sa­mento, o player “engas­gava”, e a qual­i­dade do som ficava pés­sima. Mas quando era apli­cado uma pri­or­i­dade maior para a tarefa do media player, o som voltava a fun­cionar nor­mal­mente, mesmo com a apli­cação de alto proces­sa­mento ainda em exe­cução. E aí, vai encarar os patches de real-time no seu ker­nel tam­bém? :)

A última palestra foi… Bem, não assisti à última palestra. Aproveitei o resto do dia para bater um papo com o pes­soal, vis­i­tar alguns expos­i­tores e fazer net­work­ing. Fiz ótimos con­tatos, que poderão inclu­sive trazer novi­dades inter­es­santes para o blog.

Agora, é esperar o ESC Brasil 2012. Enquanto isso, diz aí, você esteve lá? O que achou do evento?

Um abraço!

Ser­gio Prado

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  • Alberto Fabi­ano

    Palestra sobre os hábitos noturnos dos orn­i­tor­rin­cos? Bem, se estes monotremado tiver uma neu­ro­prótese, então ele terá embed­ded sys­tems e cer­ta­mente será assunto para uma palestra de neu­ro­en­gen­haria, então…
     
    []s
    @AlbertoFabiano

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    • http://www.sergioprado.org ser­gio­prado

      Boa Alberto! Já esta querendo colo­car eletrônica nos pobres ornitorrincos? :)

      Um abraço!

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  • http://twitter.com/gustavowalbon Gus­tavo Walbon

    Foi meu primeiro evento na área de embar­ca­dos e me senti crú em alguns momen­tos, mas vi o poten­cial do mer­cado ressaltando em con­ver­sas durante os cof­febreaks. Agora é colo­car em prática o que vi no evento, e con­fesso minha ansiedade quanto pro­gra­mar durante as palestras.
    Fora o per­fil téc­nico do evento, foi ótimo ter con­tato com algu­mas empre­sas e pes­soas, acred­ito que isso ger­ará fru­tos.
     
    :wq!

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  • Klausen­ner

    Eu estive, e gostei muito. As duas palestras do Jack Ganssle foram sen­sa­cionais, a com­para­ção que ele fez entre o poder de proces­sa­mento de um  iPhone hoje e um com­puta­dor dos anos 50, me fez pen­sar onde vamos estar daqui a 30 anos. Como o Ser­gio falou, o difí­cil era escol­her o que assi­s­tir, espero que seja disponi­bi­lizado o mate­r­ial de todas as palestras no site do ESC BRAZIL.

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